“o trabalho se expande de modo a preencher o tempo disponível para a sua realização” ー Lei de Parkinson
em vez de definir uma solução para depois tentar prever o tempo que tomará para implementar, experimente o inverso.
realizar estimativas costuma ser um desperdício de tempo. estimativas são imprecisas. frequentemente longe da realidade.
servem mais para gerentes se sentirem tranquilos, por um tempo. até que tudo desande.
o tempo tentando adivinhar quanto se gastará de tempo, poderia ser utilizado para desenvolver o produto.
experenciamos a falácia do planejamento (proposta por daniel kahneman e amos tversky em 1979; ampliada por lovallo e kahneman em 2003), uma tendência sistemática de subestimarmos o tempo, os custos e os riscos necessários para completar uma tarefa futura, ao mesmo tempo em que superestimamos os benefícios dessa mesma tarefa.
o interessante, e frustrante, é que essa tendência persiste mesmo quando temos experiências passadas com tarefas semelhantes que também estouraram prazos e orçamentos.
além disso experenciamos o viés de otimismo, uma tendência cognitiva que nos leva a acreditar que somos menos propensos a experienciar eventos negativos e mais propensos a experienciar eventos positivos do que realmente somos.
então, nos sobra duas alternativas: realizar entregas contínuas sem atrelar a um tempo específico, o que pode ser perigoso.
ou, a que sugiro nesse processo, definir qual o apetite de tempo temos para resolver um determinado problema.
em vez de começar pela solução e perguntar "quanto tempo isso vai levar?", o que geralmente leva a estimativas frágeis e discussões sem fim, nós partimos de um lugar diferente.
começamos com a pergunta: "quanto tempo essa oportunidade vale para nós?" para depois pensarmos em uma solução que caberá nesse tempo.
em vez de pensar "o que podemos construir?", perguntamos "qual é a melhor solução que conseguimos criar dentro desse apetite de tempo?"
o que naturalmente nos leva a negociar o que é essencial e o que pode ser deixado de fora. as conversas e decisões difíceis necessárias acontecem naturalmente.
o escopo é a variável, não o tempo.
isso aumenta nossa confiança em nós mesmos e sob o olhar de outras pessoas e times na organização ao realizar entregas consistentemente em janelas de tempo definidas.
se optar por essa estratégia, cuidado com os limites de tempo.
um período muito curto dificilmente permitirá entregar algo de valor em produção.
um período muito longo torna difícil apreender mentalmente para conseguir tomar decisões importantes, além de aumentar a espera de outras implementações ou minimizar a flexibilidade para mudança de direção do negócio com outros experimentos.


