prática narrativa: mapa do visitante
como separar a identidade do problema que tenta colonizá-la
v0.7.3
visão geral
este mapa nasce da observação de práticas da terapia narrativa. uma abordagem que separa a identidade da pessoa do problema que ela enfrenta. a premissa é direta: a pessoa não é o problema. o problema é o problema.
comumente usamos rótulos fixos para definir quem somos. nos chamamos de ansiosos, de limitados. passamos a acreditar que temos uma identidade e uma história única. isso gera imobilidade.
a frase “eu sou assim e pronto” atua como uma sentença fatalista. ela impede a pessoa de tentar qualquer mudança.
a externalização altera essa dinâmica ao tratar o problema como um visitante externo — algo que chega de fora e tenta assumir o controle da casa.
separar o problema da identidade não diminui a responsabilização. o efeito é o inverso. a externalização potencializa a responsabilidade. o obstáculo deixa de ser um destino fechado. ele se torna uma presença com o qual precisamos lidar. a pessoa recupera a possibilidade de responder e agir diante dessa visita.
este mapa é um exercício prático para mapear os efeitos do visitante, suas táticas, os movimentos de resistência e as brechas por onde novas rotas podem emergir.
a intenção é abrir um espaço entre a pessoa e o problema — para permitir novas perspectivas, possibilidades e identidades.
este mapa é uma ferramenta que construí inspirado nos mapas de declaração de posição de Michael White (SOMP1 e SOMP2), do texto de Luke Kalaf (sobre gamificação e terapia narrativa) e de alguns princípios de pesquisa narrativa participativa de Cynthia Kurtz.
um ponto de atrito comum em qualquer exercício de exploração é pedir para a pessoa nomear algo diretamente. quando isso acontece, a mente ativa o modo analítico — e a pessoa trava, ou produz um nome genérico sem conexão com a experiência. este mapa evita esse atrito: primeiro coleta-se histórias e mapeiam-se os efeitos, depois descobre-se o que o visitante bloqueia e que mensagem ele repete, e só então, com base nessas descrições, o nome emerge — o facilitador propõe de forma tentativa e o cliente refina.
este exercício não é um passo a passo rígido. existe um percurso possível entre os marcos, mas ele pode ser ajustado conforme o ritmo, as necessidades e os sinais que surgem ao longo do caminho.
caminhamos pelo mapa. passamos por cada marco para observar com mais clareza. e, sempre que necessário, retornamos ao ponto de partida antes de seguir para outro marco.
integração com outras práticas
palcos da vida: descobre novas perspectivas através de experiências diferentes
bastões de caminhada: apoios para rotinas diárias sustentáveis
medite: estrutura ações e projetos que materializam a nova história
ecoautoria: testemunhas externas autenticam a identidade preferida após encontrar as trilhas ocultas
sobre este mapa
este é o mapa do visitante — uma ferramenta de externalização de problemas baseada em práticas da terapia narrativa (Michael White) e princípios de participatory narrative inquiry (Cynthia Kurtz).
o mapa ajuda a separar a identidade da pessoa do problema que ela enfrenta — a pessoa não é o problema. o problema é o problema.
este mapa inclui:
os 10 marcos do mapa (perguntas e notas de facilitação)
três componentes da jornada: mochila, porto seguro, certificados
elementos visuais: ficha do visitante, ficha de contra-história (trilha oculta) e certificado de mapeamento do visitante
mapa visual — descrição de como desenhar o mapa (opcional)
notas de fundamentação teórica
sobre o percurso pelo mapa: este mapa é um guia, não uma sequência rígida. os mapas narrativos são como uma “bússola direcional” — indicam uma direção geral, mas não ditam o caminho exato. a conversa real é “zig-zag” — salta entre paisagem de ação e paisagem de identidade, entre passado e futuro, entre um marco e outro.
quando isso acontecer (e vai acontecer): você como facilitador pode reconhecer onde o cliente já está no mapa (“você acabou de me contar sobre o que o visitante sussurra — isso pertence ao marco de nomeação”) e decidir como proceder: convidar o cliente para esse novo marco, confirmar se ele quer explorar ali, ou perguntar onde ele prefere continuar — se quer seguir nesse novo marco agora ou voltar ao marco anterior depois.
o importante é acompanhar o ritmo e as necessidades do cliente, não seguir o mapa letra por letra.
a metáfora central
o problema é um visitante — alguém que chega de fora, interfere, mas não é a pessoa.
a pessoa que caminha pelo mapa é o aventureiro — quem atravessa a jornada de reconhecer, entender e responder ao visitante.
este visitante pode atuar de diferentes formas:
como protetor desajeitado: pode estar tentando proteger algo na sua vida — mesmo que de forma desajeitada, causando mais dano do que proteção
como opressor ou controlador: pode estar tentando controlar, silenciar, isolar ou dominar — usando táticas de abuso, terrorização ou engano
como ladrão: pode estar roubando algo importante (sono, energia, conexões)
como carcereiro: pode estar te fazendo policiar a si mesmo, tornar-se seu próprio carcereiro
o visitante tem uma agenda própria e usa táticas para se manter no poder. mapeamos o que ele está fazendo na sua vida — não importa se vem disfarçado de proteção ou de opressão.
como chamamos o visitante: pelo nome que emerge da conversa.
princípio: apenas histórias e eventos reais. evitar cenários fabricados ou imaginação de futuros hipotéticos.
sequência: coletar histórias e mapear efeitos primeiro → depois entender o que o visitante bloqueia e que mensagem ele repete → depois nomeá-lo de forma colaborativa.
o mapa
o mapa é composto por 10 marcos — pontos de passagem na jornada de externalização. cada marco tem uma intenção específica e perguntas orientadoras. o percurso pode ser adaptado conforme o ritmo e as necessidades que surgem.
itens da 🎒 mochila: durante a jornada, o aventureiro coleta aprendizados na mochila — especialmente nos marcos 7, 8 e 9
os 10 marcos do mapa
1. 🗺️ última visita
intenção: ancorar a conversa em um momento concreto — a última vez que o visitante apareceu — e coletar o contexto mínimo para entender como ele se manifesta no dia a dia da pessoa.
caso a (problema definido — cliente já trouxe rótulo):
“me conta: na última semana, teve algum momento em que esse [rótulo] apareceu e atrapalhou o que você queria fazer? o que estava acontecendo?”
caso b (problema presente mas sem nome):
“me conta: na última semana, teve algum momento em que algo tentou te atrapalhar — algo que você percebe que tem aparecido com frequência na sua vida? o que estava acontecendo?”
nota: antes de pedir para nomear o visitante, colete mais histórias e mapeie os efeitos. o nome emerge depois — quando o facilitador tem material suficiente para propor e o cliente refina.
2. 👣 rastros — efeitos e momentos que marcaram
intenção: coletar mais histórias reais e mapear o que o visitante causa.
momentos que marcaram:
“pensando no último mês ou nos últimos tempos, quais foram os momentos em que a presença do visitante mais marcou? me conta o que aconteceu em cada um deles.”
aprofundamento:
“o que mais estava acontecendo na sua vida naquele momento?”
após a história:
“você notou algo em comum entre essas situações?”
efeitos quando está intenso:
“baseado no que você contou, quando ele está no momento mais intenso — dominando — o que acontece com você?”
aprofundar:
“e o que você sentia nesses momentos?”
“me conta mais detalhes sobre aquele momento, passo a passo. o que aconteceu?”
o que melhora quando ele tem menos atuação:
“e nos momentos em que ele ficava mais fraco — menos presente — o que você percebia que melhorava? o que você conseguia fazer de novo?”
influência em momentos do dia:
“olhando para o que você me contou — você percebe que o visitante aparece mais em certas situações? tipo no trabalho, nos momentos de descanso, ou quando precisa tomar decisões?”
impacto em outros e nos relacionamentos:
“nessas histórias, o visitante afetou outras pessoas além de você? quem estava por perto?”
aprofundar:
“e a sua forma de estar com essas pessoas — o que mudava quando o visitante estava presente? você se tornava diferente de alguma forma?”
“e ao longo do tempo — não só naquele momento — como o visitante tem afetado as pessoas ao seu redor? como elas te veem hoje por causa disso?”
o que fazer com a resposta:
registre os momentos, efeitos e impacto nas palavras do cliente
não interprete “padrão” — deixe o cliente notar sozinho
3. 🎭 qual o papel do visitante e quanto cobra
intenção: agora que coletamos histórias e mapeamos efeitos, vamos entender como o visitante opera na vida da pessoa — o que ele bloqueia, que mensagem ele repete, e como nomeá-lo. o nome não é pedido diretamente — ele emerge das respostas. o facilitador apoia a nomeação com sugestões tentativas, não com imposição.
bloqueio — o que ele impede
“naquela história — o que você não conseguiu fazer por causa dele?”
exemplos para facilitar a resposta: “…tipo descansar, falar, confiar, relaxar, entregar, aproveitar…”
aprofundamento:
“e o que deixa de acontecer na sua vida por causa disso?”
sussurro — o que ele repete
“naquela história — o que ele repete pra você? que mensagem ele insiste em te passar?”
exemplos para facilitar a resposta: “…tipo ‘nunca está bom o suficiente’, ‘os outros vão te julgar’, ‘amanhã é melhor’…”
aprofundamento (sussurros):
“e o que ele sussurra para te manter pagando esse preço? que riscos ele diz que você correria se parasse de ouvi-lo?”
se o cliente não conseguir responder:
“pense assim: se ele fosse um funcionário que você quisesse demitir, o que ele diria para te convencer a mantê-lo?”
exemplos de como o visitante tenta manter o cliente (apenas para o facilitador, NÃO para sugerir):
isolador protetor
bloqueio: “não consegui me conectar” — sussurro: “os outros vão te julgar”
controlador de riscos
bloqueio: “não consegui relaxar” — sussurro: “se você relaxar, algo ruim vai acontecer”
juiz da casa perfeita
bloqueio: “não consegui parar de limpar” — sussurro: “a casa tem que estar perfeita”
adiador de confrontos
bloqueio: “não consegui ligar” — sussurro: “amanhã é melhor”
nomeação — como apoiar o cliente a nomear
o facilitador NÃO pede para o cliente “dar um nome” diretamente. em vez disso, o facilitador usa o material que o cliente já deu (bloqueio + sussurro) para propor um nome de forma tentativa, e o cliente refina.
6 técnicas para apoiar a nomeação:
sugestões tentativas — o facilitador propõe hesitante: “olhando o que você disse — que ele não te deixa parar e que o sussurro dele é ‘nunca está bom o suficiente’ — parece que ele funciona como um… fiscal? ou juiz? faz sentido?”
o “visitante” — se não surge um nome, chame de “o visitante” até que um melhor apareça: “vamos chamar ele de ‘o visitante’ por enquanto, até a gente encontrar um nome melhor”
pesca de metáforas — escute palavras espontâneas do cliente e adote: se o cliente diz “é um negócio que chega e gruda”, o facilitador diz “podemos chamar ele de ‘chiclete’ por enquanto?”
tradução de diagnósticos — se o cliente diz “eu sou ansioso”, o facilitador diz “então a ansiedade tem dificultado que você…”
desenhos — peça para o cliente desenhar o visitante — especialmente útil com crianças
nomes mutáveis — o nome pode mudar: “se ao longo da conversa você achar um nome melhor, a gente troca”
exemplo completo de fluxo:
facilitador: “naquela história, você não conseguiu parar de limpar. e o sussurro dele era que a casa tinha que estar perfeita. parece que ele funciona como um… fiscal? ou juiz?”
cliente: “é… mais que fiscal. ele julga. é um juiz.”
facilitador: “juiz da casa perfeita?”
cliente: “isso. juiz da casa perfeita.”
após o nome:
confirme: “então vou chamar ele de [nome]. pode ser?”
use
[nome do visitante]em TODAS as referências futurasse o cliente quiser mudar o nome depois, troque — o nome não é fixo
4. ⚖️ veredito — sua opinião sobre o visitante
intenção: descobrir como a pessoa se posiciona em relação ao visitante.
avaliação:
“olhando para o que o visitante fez nas histórias que você contou — como você se sente em relação a isso? isso está bem pra você?”
alternativa (para casos onde o visitante atua mais como protetor desajeitado que opressor):
“você acha que o [nome do visitante] estava tentando cuidar de você de alguma forma, mesmo que desajeitado? ou só estava te prejudicando?”
justificativa (após a pessoa dar seu veredicto):
“você disse que [repetir o que a pessoa disse]. o que faz isso não estar bem pra você? o que é importante na sua vida que está sendo violado por isso?”
“o que te incomoda mais no que o visitante faz com você?”
o que fazer com a resposta:
registre o posicionamento nas palavras do cliente
não interprete — deixe o cliente expressar sua visão
a justificativa revela valores e preferências — use para conectar com a identidade preferida
nota para casos de trauma: se o cliente sofreu trauma, violência ou abuso, NÃO use a alternativa sobre “tentando cuidar de você” — isso pode minimizar a gravidade do abuso. em casos graves, trate o visitante como opressor, não como protetor. use a pergunta principal ou pergunte diretamente: “o que ele violou na sua vida que era importante pra você?”
5. 🧭 origem — de onde veio?
intenção: descobrir de onde o visitante veio — que mensagens, influências ou experiências ensinaram ele a agir assim.
“há quanto tempo [nome do visitante] está na sua vida? consegue lembrar da primeira vez — ou do momento mais antigo — em que ele surgiu? o que estava acontecendo?”
tomada de consciência:
“como foi que você tomou consciência de que esse visitante tinha chegado na sua vida?”
“quando você percebeu que esse visitante tinha chegado na sua vida, o que mudou para você?”
“como esse visitante foi se instalando na sua vida?”
se não lembrar de “primeira vez”:
“você lembra de alguma mensagem — de TV, redes sociais, filmes, ou de alguém próximo — que repetia algo parecido com o que ele diz? o que essa mensagem te dizia?”
o que fazer com a resposta:
registre nas palavras do cliente
não interprete como “influência cultural”
6. 🪞 espelho — emoções e auto-percepção
intenção: explorar sentimentos e auto-percepção associados à presença do visitante — apenas baseado em eventos reais já contados.
sobre sentimentos:
“naquela(s) história(s) que você contou, quando o [nome do visitante] estava presente, o que sentia?”
sobre auto-percepção:
“naquele momento, o que pensava sobre si mesmo?”
sobre como lidou:
“naquele momento — quando o visitante estava forte — como você lidou com o que estava sentindo? o que fez, ou não fez, com aquilo?”
o que fazer com a resposta:
registre sentimentos e auto-percepção nas palavras do cliente
não interprete como “sintomas” — deixe o cliente nomear
use a emoção como ponte para valores: a dor, a raiva ou o desespero que o cliente descreve é um testemunho do que é importante pra ele. se ele disser que sentia raiva, pergunte: “essa raiva te diz algo sobre o que era importante pra você naquele momento?”
use a auto-percepção para confirmar o visitante: o que o cliente pensava de si mesmo quando o visitante estava presente revela as mensagens que o visitante repete — confirme com o que já foi mapeado na seção de sussurros
7. 🔀 trilhas ocultas — quando ele não conseguiu acompanhar no mesmo ritmo
intenção: encontrar exceções reais onde o visitante não dominou completamente.
“me conta uma vez — pode ser recente ou não — em que o [nome do visitante] apareceu, mas não conseguiu dominar. o que aconteceu?”
complemento para agência e recursos:
“quando isso aconteceu, quais habilidades, conhecimentos ou recursos você percebe que você tem que ajudam a diminuir a presença do [nome do visitante]?”
sobre agência:
“o que você fez naquele instante — mesmo que invisível, sem intenção — que fez ele perder um pouco do efeito? um pensamento? um gesto?”
perguntas de aprofundamento:
“como você conseguiu resistir à influência do visitante naquele momento?”
perspectiva de observador:
“o que pensaria se visse uma pessoa agindo dessa maneira contra o visitante?”
“olhando para aquele momento, o que você acha que teria sido possível decidir ou agir diferente?”
“como você conseguiu sobreviver naquele momento e depois? o que fez para se proteger?”
reflexão sobre valores (o que descobriu sobre si):
“se você tentasse isso, o que diria sobre o que você valoriza na vida ou o que quer para si?”
concretizando para a mochila:
“se você visse uma outra pessoa contando essa mesma história — alguém que fez exatamente o que você fez — você diria que essa pessoa não fez nada, ou conseguiria notar alguma coisa pequena que ela fez que ajudou?”
“essa resposta me parece uma ferramenta que pode ir para sua mochila. o que acha?”
alternativa:
“você já percebeu que em certas situações ele simplesmente não apareceu? o que estava diferente?”
sobre o que as exceções têm em comum:
“você percebe algo em comum entre os momentos em que ele perdeu força?”
sobre os efeitos daquela exceção:
“nesses momentos em que ele perdeu força, como as coisas foram diferentes para você? o que mudou no seu dia?”
quando a pessoa menciona uma habilidade ou conhecimento:
“você mencionou que [habilidade]. me conta — como você aprendeu isso? com quem?”
“quando isso começou na sua vida? onde você aprendeu ou desenvolveu isso?”
“isso vem de alguma tradição da sua família ou comunidade?”
“quem mais sabia que isso era importante pra você?”
sobre o que era importante naquele momento:
“olhando de fora para a pessoa que você foi nessa história, o que parecia ser mais importante para ela naquele exato momento? o que ela estava tentando proteger?”
o que fazer com a resposta:
registre usando palavras do cliente
não interprete — apenas amplifique o que já está lá
🎒 mochila: pergunte “o que você descobriu nesse momento? isso pode ir pra sua mochila.”
o destino das trilhas ocultas: o próximo passo recomendado
após encontrar as trilhas ocultas, leve sua contra-história para uma cerimônia de testemunhas externas através do ecoautoria — uma audiência que escute, ressoe e autentique publicamente essas reivindicações de identidade, transformando insights individuais em realidade socialmente sustentável.
por que isso importa: quando uma história preferida permanece apenas na mente da pessoa, ela carece de “realidade” e pode ser engolida novamente pela sombra da história dominante. o ecoautoria confere realidade à identidade preferida através da testemunha comunitária.
8. 🏠 porto seguro — o que proteger
intenção: identificar o que é importante para o aventureiro e merece ser protegido.
o que é: o lugar onde o aventureiro descansa, se reconecta com o que é importante. valores e relacionamentos protetivos funcionam como âncoras.
perguntas:
“o que é importante pra você que o visitante não consegue atingir?”
“se o visitante tentasse atingir algo muito importante pra você, o que você não deixaria que ele levasse?”
“quando você pensa nas coisas que estão na sua vida e que importam — o que mais vale a pena proteger?”
o que fazer com a resposta:
registre nas palavras do cliente
esses valores podem incluir: pessoas queridas, atividades que dão forças, princípios
esses valores são âncoras para quando o visitante aparecer novamente
aprofundamento opcional (quando um valor se destaca):
“qual a história mais antiga que você lembra sobre [esse valor] se tornando importante para você?”
“de onde você acha que veio essa importância?”
9. 🔥 fogueira — compartilhar e certificar
intenção: consolidar aprendizado e criar sabedoria compartilhável.
“se encontrasse alguém passando pela mesma coisa, o que contaria sobre como esse visitante funciona?”
“pense em algo que já fez que funcionou para lidar com o [nome do visitante]. o que foi?”
“que dicas práticas daria para alguém se proteger desse visitante? pense em uma situação específica e uma ação que testou. e pense em outras situações e nas ações que testou.”
formato da dica:
situação: “quando [tipo de situação]…”
ação: “…eu [ação que funcionou]…”
o que fazer com a resposta:
registre a sabedoria e as dicas nas palavras do cliente
devolva: “isso que você disse é importante…”
🎒 mochila: as dicas práticas são ferramentas que vai para a mochila
📜 certificado de mapeamento: white e epston criavam certificados para registrar aprendizados. o cliente pode criar um certificado de mapeamento do visitante com: nome do aventureiro, nome do visitante, ferramentas para a mochila, porto seguro. isso não é uma “vitória final” — é um registro para o futuro.
10. 🛠️ preparar — o que testar
intenção: criar ação concreta baseada na exceção vivida e em habilidades que o cliente já possui em outros contextos.
“naquela(s) história(s) em que ele perdeu força — o que estava acontecendo de diferente? o que você fez, ou o que mudou ao seu redor?”
“em alguma outra situação da sua vida — onde o visitante não aparece tanto — você consegue fazer coisas que não consegue quando ele está por perto? o que são?”
“dessa habilidade ou mudança de ambiente — que versão mínima poderia trazer pra essa situação essa semana, mesmo com o visitante presente?”
“quais pequenos experimentos paralelos podemos testar nessa semana para ver o que impacta o visitante?”
alternativa (mais intuitiva): “que pequenas coisas você pode testar essa semana pra ver se diminui o efeito do visitante? podemos testar mais de uma — quais você gostaria de tentar?”
nota para facilitador: estas perguntas inspiram-se no conceito de experimentos seguros-para-falhar do framework Cynefin (Dave Snowden). em sistemas complexos, como a vida com o visitante, não sabemos de antemão o que funcionará. testar 2-3 pequenos experimentos simultâneos pode revelar o que enfraquece o visitante.
exemplos de experimentos:
“vou tentar acordar 10 minutos mais cedo E preparar o café na noite anterior E deixar o tênis perto da cama”
“vou testar escrever de manhã E de tarde E antes de dormir, para ver qual horário o visitante menos atrapalha”
na próxima sessão:
para experimentos que limitaram o visitante: “como criar mais momentos como este?” (amplificar)
para experimentos que deram poder ao visitante: “como ter menos momentos como aquele?” (amortecer)
sobre formular o passo de teste:
quando você estiver ajudando o cliente a formular o teste, algumas pessoas acham útil ter um menu de elementos para pensar na formulação:
para experimentos exploratórios (novas perspectivas, experiências diferentes): ofereça a estrutura dos palcos da vida — encontros com pessoas, lugares, sentidos que ressoam com a nova história
para rotinas diárias sustentáveis (práticas recorrentes): ofereça a estrutura dos bastões de caminhada — suportes para práticas contínuas
para ações e projetos maiores (escrever um livro, organizar um evento, mudar de cidade): ofereça a estrutura do medite — guia para ações com início, meio e fim
saiba mais: consulte as seções “quando usar” em cada guia para entender a diferença e a ponte entre eles.
o que fazer com a resposta:
registre o compromisso que o cliente fez
confirme: “então você vai testar [exatamente o que ele disse]?”
🎒 mochila: pergunte “que ferramenta da sua mochila você poderia usar dessa vez?”
elementos visuais
este mapa inclui os seguintes elementos que podem ser impressos e preenchidos durante a sessão:
ficha do visitante — para registrar o nome, bloqueios, sussurros e cobranças do visitante
ficha de contra-história (trilha oculta) — para documentar exceções onde o visitante não dominou, resistências e ferramentas descobertas
certificado de mapeamento do visitante — para registrar nome do aventureiro, visitante descoberto, ferramentas na mochila e porto seguro
ficha do visitante
┌─────────────────────────────────────────┐
│ ficha do visitante │
├─────────────────────────────────────────┤
│ │
│ nome: _____________________________ │
│ │
│ bloqueios que causa: │
│ ─────────────────────────────────── │
│ • _________________________________ │
│ • _________________________________ │
│ • _________________________________ │
│ │
│ sussurros que repete: │
│ ─────────────────────────────────── │
│ • _________________________________ │
│ • _________________________________ │
│ │
│ quanto cobra: │
│ ─────────────────────────────────── │
│ • _________________________________ │
│ • _________________________________ │
│ │
└─────────────────────────────────────────┘
certificado de mapeamento do visitante
┌─────────────────────────────────────────┐
│ │
│ ╔═══════════════════════════════╗ │
│ ║ certificado de mapeamento ║ │
│ ╚═══════════════════════════════╝ │
│ │
│ este documento registra que: │
│ │
│ nome do aventureiro: _________________ │
│ │
│ descobriu o visitante chamado: ________│
│ │
│ se equipou com ferramentas na mochila: │
│ • _________________________________ │
│ • _________________________________ │
│ • _________________________________ │
│ │
│ porto seguro: │
│ • ───────────────────────────────── │
│ • _________________________________ │
│ • _________________________________ │
│ │
│ data: _____________________________ │
│ │
└─────────────────────────────────────────┘
ficha de contra-história — trilha oculta
┌─────────────────────────────────────────┐
│ │
│ ✨ ficha de contra-história │
│ (trilha oculta) │
│ │
│ momento: ___________________________ │
│ │
│ o que aconteceu de diferente: │
│ ─────────────────────────────────── │
│ ___________________________________ │
│ ___________________________________ │
│ ___________________________________ │
│ │
│ como resisti/agir diferente: │
│ ─────────────────────────────────── │
│ • _________________________________ │
│ • _________________________________ │
│ │
│ ferramenta para mochila: │
│ ─────────────────────────────────── │
│ ___________________________________ │
│ │
└─────────────────────────────────────────┘
mapa visual — descrição
o mapa pode ser desenhado pelo cliente em uma folha em branco. aqui está uma descrição de como desenhar:
visão geral:
desenhe uma linha reta horizontal representando o caminho
divida em 10 partes iguais
cada parte representa um marco
o visitante pode ser desenhado em qualquer ponto onde ele aparece
trilhas alternativas podem ser desenhadas como desvios da linha principal
elementos opcionais:
mochila: desenhada no canto superior esquerdo
porto seguro: desenhado no canto inferior esquerdo (uma casa, uma árvore, um coração)
visitante: desenhado no ponto onde ele aparece (pode ser um círculo com um nome dentro)
exemplo de disposição:
┌──────────────────────────────────────────────────────────┐
│ 🎒 mapa do visitante │
│ mochila │
│ │
│ 🏠 ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ ─ │
│ porto │ │ │ │ │ │ │ │ │ │ │
│ seguro│ 🗺️ │ 👣 │ 🎭 │ ⚖️ │ 🧭 │ 🪞 │ 🔀 │ 🏠 │ 🔥 │ 🛠️ │
│ │ │ │ │ │ │ │ │ │ │ │
│ │ │ │ │ │ │ │ │ │ │ │
│ │ │ │ │ │ │ │ │ │ │ │
│ └────┴────┴────┴────┴────┴────┴────┴────┴────┴── │
│ ↗ (trilhas ocultas) │
└──────────────────────────────────────────────────────────┘
referências teóricas
michael white — mapas de declaração de posição
SOMP1 — externalização do problema (White, 2007)
negociar uma definição particular do problema
mapear os efeitos do problema
avaliar os efeitos das atividades do problema
justificar a avaliação (revela o que a pessoa valoriza)
SOMP2 — construção da exceção (White, 2007)
negociar uma definição do acontecimento singular
mapear os efeitos desse acontecimento
avaliar o acontecimento e seus efeitos
justificar a avaliação
outros mapas e ideias utilizadas:
mapa de apoios (scaffolding) — inspirado em Vygotsky
desconstrução de discursos normativos
testemunhas externas — cerimônia de definição
lógica funcional (possível propósito protetor do visitante)
cynthia kurtz — participatory narrative inquiry (PNI)
coleta de histórias reais (elicitação)
sensemaking: auto-significação e auto-avaliação pelo participante
princípio: histórias primeiro, sentido depois
princípio: evitar cenários fabricados ou imaginação de futuros hipotéticos
luke kalaf — gamificação e terapia narrativa
kalaf, l. (2023). gamification: how game design and narrative therapy can work together. international journal of narrative therapy and community work, (1), 25–32.


